Moradores do bairro Jardim César Augusto, em Colombo, afirmam que a obra de ampliação do Contorno Norte, realizada pela concessionária Via Araucária, está obrigando a desocupação de dezenas de moradias. As famílias denunciam que estão sem a garantia de indenização ou realocação adequada. Conforme os relatos, algumas residências já foram derrubadas, enquanto outras seguem ocupadas com famílias desassistidas que convivem com o constante risco de desabamento e a ameaça à segurança física.
As denúncias apontam que parte dos atingidos não recebeu comunicação formal nem esclarecimentos oficiais sobre processos de compensação ou realocação. Enquanto alguns moradores tiveram acordos pontuais, outros continuam vivendo em locais classificados como inseguros, sem qualquer definição sobre o que acontecerá com suas casas.
Quem permanece no bairro relata abalos frequentes provocados por escavações e pela movimentação de grandes pedras próximas às casas, comprometendo a estrutura dos imóveis.
“As pedras são gigantes, do tamanho de uma caçamba. As casas balançam, as pessoas estão em pânico”, descreve um morador.
A situação forçou famílias a deixarem suas casas às pressas. Sabrina, moradora da região, precisou sair do imóvel com a filha, um bebê recém-nascido. Segundo ela, as vibrações e o deslocamento de pedras abalaram a estrutura da residência, levando a família a se refugiar na casa de parentes. “Tive que sair porque a máquina já estava entrando aqui (próximo a residência), moro ao lado do rio e, no momento em que mexeram no rio, minha casa corre o risco de parar dentro da água”, conclui. A criança precisou receber medicação após o susto.
Outra moradora, Suely, denuncia alterações no curso de um rio que passa nos fundos das casas, o que, segundo ela, pode intensificar os danos estruturais nas residências situadas nas áreas mais baixas do bairro. “Estão mexendo no rio atrás da minha casa, e isso vai atingir todas as moradias lá embaixo. Alguém precisa vir e avaliar a situação ou garantir uma indenização justa para quem vive aqui”, afirma.
Suely também aponta que apenas três imóveis teriam sido indenizados até agora, enquanto os trabalhos seguem normalmente, com famílias ainda expostas a riscos.
“Disseram que as máquinas só entrariam depois que todos estivessem fora da área de perigo, mas isso não foi cumprido. Três casas receberam indenização e o restante foi deixado de lado”, denuncia a moradora.
Manifestação
Moradores organizaram uma manifestação nesta quarta-feira (14) para exigir moradia digna, compensações adequadas, transparência no processo e a paralisação das obras enquanto houver pessoas vivendo em situação de risco.
O deputado estadual Renato Freitas (PT) esteve na comunidade em agosto de 2025 e criticou a condução do caso. “Por décadas, este foi um espaço de moradia de pessoas que constroem e dão vida a essa comunidade. Agora, a prefeitura quer duplicar a rodovia às custas do direito à moradia de quem vive aqui há tanto tempo. Isso é inaceitável e fere a Constituição”, declarou.
Respostas oficiais
O gabinete do deputado estadual Renato Freitas (PT) acompanha o caso e articulou a atuação da Defensoria Pública para mediar o conflito. O mandato se reuniu com lideranças da comunidade nesta quinta-feira (15) e tem elaborado um dossiê sobre a situação das famílias atingidas, cobrando critérios claros de indenização e o reassentamento por parte da concessionária Via Araucária. Caso não haja avanço, a Defensoria poderá provocar o Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) para mediação ou judicialização do caso.
Em resposta ao Ofício nº 147/2025, a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) declarou que a mediação de conflitos fundiários não é de sua competência direta, indicando a Superintendência Geral de Diálogo e Interação Social (SUDIS) e o Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) como instâncias responsáveis pela condução do processo.
A Cohapar ressaltou ainda que sua atuação depende de solicitação formal do município, cabendo à Prefeitura de Colombo identificar áreas prioritárias e encaminhar as demandas para avaliação técnica e jurídica.
Já a Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania (SEJU) reconheceu a existência do conflito, mas afirmou que se trata de um caso de desapropriação vinculado à infraestrutura rodoviária, atribuindo a responsabilidade técnica ao Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR). A pasta informou que encaminhou a situação ao DER e à Comissão de Soluções Fundiárias do TJPR.
A secretaria acrescentou que permanece disponível para colaborar na articulação entre órgãos como o Ministério Público, a Defensoria Pública e outras instituições competentes.
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