Familiares denunciaram o assassinato do jovem Maykon Lima, de 24 anos, morto por agentes da Policia Militar do Paraná durante uma ocorrência em que a PM foi acionada para prestar socorro. O caso ocorreu na Vila São Pedro, no município de Bandeirantes, Norte do estado, na quinta-feira, dia 29 de janeiro. Maykon foi atingido por dois tiros durante uma tentativa de internação para tratamento psiquiátrico.
Diagnosticado com esquizofrenia, Maykon alternava períodos de estabilidade com surtos. A mãe, Sandra Albino, que acompanhava o filho em consultas e internações, havia procurado o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) para solicitar uma nova internação involuntária. Segundo ela, foi construído um plano em conjunto com os profissionais de saúde: chegar cedo, surpreendê-lo dormindo e levá-lo de forma segura, sedado ou algemado. Os profissionais do CAPS solicitaram apoio da Polícia Militar e do SAMU.
“Era pra ser uma coisa tranquila, como já tinha acontecido outras vezes”, relata Sandra.
No dia da ocorrência a casa estava cheia. Mãe, tio e outros familiares estavam dentro da residência. Segundo os relatos, os policiais não entraram no imóvel para ajudar na contenção. Ficaram do outro lado da rua, próximos à viatura, enquanto apenas um profissional do CAPS entrou sozinho.
Maykon viu o profissional, se assustou e saiu correndo. Passou pela cozinha, pegou uma faca comum e seguiu em direção ao portão. Foi nesse instante que os disparos aconteceram.
Foram dois tiros. Um atingiu o pescoço e o outro perfurou o tórax. De acordo com os relatos, o segundo disparo poderia ter atingido outros familiares que estavam próximos.
Maykon caiu no chão. O SAMU tentou socorrê-lo, mas ele morreu pouco depois.
“Ele nem chegou perto da polícia. Quando apareceu no portão, já atiraram”, conta a mãe.
Sandra ainda relata que encontrou uma cápsula de bala dentro do terreno, o que, segundo ela, corrobora com a versão de que o jovem mal havia saído do portão e não oferecia risco a segurança de terceiros.
Segundo os familiares, não houve tentativa de diálogo ou uso de qualquer instrumento não letal. A primeira ação da polícia foi atirar em uma região letal. “Poderia ter dado um tiro na perna qualquer coisa. Não deu nem tempo do tio falar com ele para acalmá-lo”, conta.
“Como uma mãe vai solicitar o apoio para cuidar do filho e eles vêm aqui e matam o menino?”, questiona.
Dois filhos mortos pela polícia
Em 2022, outro filho de Sandra Albino também foi assassinado por policiais militares na mesma cidade. Dependente químico, ele havia acabado de sair de uma internação quando foi assassinado após sair de casa para encontrar um amigo.
Segundo a mãe, o filho relatava estar jurado de morte por policiais. “Agora perdi dois filhos para a polícia”, lamenta.
Quem era Maykon
Maycon era descrito como um menino doce, carinhoso e afetuoso. Desde a infância enfrentava dificuldades psicológicas e chegou a ser atendido pela Apae. Com o passar dos anos, passou a ser acompanhado pelo CAPS e por diferentes serviços de saúde mental.
Ao longo de 20 anos, esteve sob acompanhamento médico constante e passou por diversas internações. Apesar da esquizofrenia, conseguia trabalhar nos períodos de estabilidade e sempre ajudava em casa.
“Ele nunca teve problema com a polícia, nunca ameaçou ninguém, nunca foi violento com a sociedade”, afirma um familiar. “Ele era doente, não era bandido”, conta.
Atuação do mandato do deputado Renato Freitas
O mandato do deputado Renato Freitas informou que irá oficializar a Corregedoria da Polícia Militar do 18º Batalhão para que seja aberta uma investigação sobre a conduta dos policiais envolvidos na morte, para que o caso seja investigado.
Em nota a imprensa local, a Polícia Militar do Paraná afirmou que “a atuação ocorreu dentro dos princípios da legalidade, necessidade e proporcionalidade, visando a preservação física da equipe e de terceiros”.
A nota, no entanto, menciona sobre a abertura de qualquer procedimento interno para investigar a ação dos agentes, e já parte da premissa de que a conduta foi legal.
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