“Toda cúpula do poder brasileiro está contaminada pelo vírus da corrupção”, diz Renato Freitas sobre fraude do banco Master

Deputado expôs elos entre o banco e o estado do Paraná

O deputado estadual Renato Freitas (PT-PR) usou a tribuna no retorno das atividades da Assembleia Legislativa do Paraná para repercutir o escândalo do Banco Master, revelado após a operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que prendeu o empresário e dono do Master, Daniel Vorcaro, em novembro de 2025. Freitas falou sobre a prisão do ex-presidente do Rioprevidência, como desdobramento da investigação, e comentou ainda sobre a relação do banco fraudulento com negócios no estado do Paraná.

“Nelson Tanure, um dos sócios ocultos do banco Master, foi quem comprou a Copel Telecom aqui no Paraná”, lembrou Renato Freitas. Empresário bilionário, Tanure foi um dos alvos da segunda fase da operação Compliance Zero, onde foi apontado como um dos sócios ocultos do banco “exercendo influência por meio de fundos e estruturas societárias complexas”.

A Copel Telecom, estatal privatizada, foi adquirida em 2020 por Tanure por meio do fundo Bordeaux Participações, cujo Banco Master foi um dos principais financiadores. A operação custou R$ 2,3 bilhões. Após a negociação, a empresa foi renomeada como Ligga Telecom.

Empréstimo para servidores públicos do Paraná
Renato mencionou ainda o sistema de empréstimo consignado oferecido aos servidores públicos do Paraná, uma espécie de cartão de crédito com desconto direto no salário de funcionários e aposentados. “Hoje, você, servidor público paranaense que precisa fazer um empréstimo consignado, sabe com quem você vai fazer? Coincidentemente, com o Banco Master”, afirmou o deputado.

O cartão CredCesta e Mettacard, criados pelo Banco Master e utilizados pelo governo do Paraná e pela Prefeitura de Curitiba como opção de empréstimo aos servidores públicos, são gerenciados pela empresa PKL One, que, por sua vez, está abrigada em uma complexa teia de fundos de investimentos administrados pela Reag Investimentos, gestora investigada na Operação Carbono Oculto por suspeitas de ligação com o crime organizado.

Segundo matéria do jornal Plural, publicada em 3 de dezembro de 2025, um grupo com cerca de 400 servidores ativos, aposentados e pensionistas ajuizaram ações contra a operadora do cartão e a Prefeitura de Curitiba por cobranças indevidas, contratações inexistentes, juros abusivos e dificuldades para quitação. Servidores estaduais também relataram problemas – empréstimos com juros altos, cobranças indevidas e taxas que não constam dos contratos.

Após a operação Compliance Zero, o governo do Paraná anunciou, em novembro de 2025, o bloqueio dos cartões ligados ao Master. Mas os relatos de cobranças continuam.

Em janeiro deste ano, a Prefeitura de Curitiba informou que abriu uma apuração sobre contratos de crédito consignado firmados por servidores municipais por meio do CredCesta e que, desde o fim de novembro de 2025, novas contratações e novos descontos em folha foram suspensos como medida preventiva.

Porto de Paranaguá
Durante o pronunciamento, Renato Freitas apontou também que uma área do Porto de Paranaguá foi vendida para uma empresa com relação com o Banco Master.

Em 2023, a empresa Stronghold Infra Investiments assumiu o controle do terminal PAR 50 do Porto de Paranaguá, privatizado pelo governo Ratinho Jr. O terminal PAR 50 é apontado pela Operação Carbono Oculto, que investiga a lavagem de dinheiro para o PCC, como ponto de importação de metanol. A Stronghold Infra Investiments teve como diretor um ex-sócio da Reag Investimentos, investigada por lavar dinheiro para o PCC e agora liquidada pelo Banco Central após acusação de usar seus fundos para inflar artificialmente os ativos do Banco Master.

Uma das maiores fraudes financeiras do Brasil
O caso Banco Master representa uma das maiores fraudes financeiras da história do Brasil, envolvendo esquema de criação de ativos fictícios no valor de aproximadamente R$ 12 bilhões.

A investigação, denominada Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025, expôs uma complexa rede de interesses envolvendo ministros do STF, políticos de direita e extrema direita, governadores, bancos públicos e fundos de previdência de estados e municípios.

“O dinheiro compra juízes, ministros, deputados, senadores, toda cúpula do poder brasileiro está contaminada pelo vírus da corrupção. Além de informado, é preciso que a gente fique inconformado. Que a gente tenha de exercer nossa cidadania sem vestir camiseta de torcida. Porque a nossa torcida é uma só: o Brasil.”, concluiu Freitas.

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