O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná ouviu nesta segunda-feira (09) as testemunhas de defesa do deputado estadual Renato Freitas (PT-PR) em um processo que pede a punição do parlamentar por participação em um ato no supermercado Muffato, em junho de 2025. A manifestação cobrou justiça por Rodrigo Boschen, jovem de 20 anos assassinado por seguranças do estabelecimento após supostamente furtar uma barra de chocolate.
“Hoje fui julgado pelo crime de me incomodar com uma sociedade que admite o assassinato de um jovem de 20 anos por causa de uma barra de chocolate. Sim. Não é exagero. É a perseguição absurda que esta Casa promove contra minha pessoa. Assassinam pessoas e julgam quem protesta contra esses assassinatos”, declarou Renato durante pronunciamento em sessão plenária desta segunda (09).
As representações acusam o deputado de invasão do supermercado e agressão. Todas as testemunhas ouvidas pelo Conselho de Ética afirmaram que o protesto foi pacífico e que não houve agressões.
“Processos sem fundamento, que servem apenas pra desgastar minha imagem, mas sobretudo pra apagar os crimes que a sociedade paranaense comete”, afirmou Renato.
O caso é relatado pelo deputado Artagão Júnior (PSD).
Pai de jovem assassinado agradece Renato Freitas
Ronaldo Boschen, pai de Rodrigo, foi ouvido pelo Conselho de Ética e agradeceu a presença de Freitas no ato por justiça.
Perguntado sobre a atuação de Renato no protesto, Ronaldo declarou: “Eu queria agradecer ele porque se não fosse ele eu não conseguiria…Eu só queria chamar atenção. Foi tudo pacífico só para chamar a atenção do mercado pra que outros pais não sofram como eu to sofrendo hoje. E agradeço o apoio dele”.

Representantes de movimentos sociais que participaram da manifestação também testemunharam ao Conselho de Ética e esclareceram que o ato foi convocado por organizações políticas, sem interferência do deputado Renato Freitas.
Todos afirmaram ter percebido a presença de viaturas da polícia militar na rua do supermercado antes do ato se iniciar.
Os acusadores não apresentaram nenhuma testemunha para ser ouvida. O relator desistiu da convocação da gerente do mercado e de uma funcionária do estabelecimento.
MP arquiva investigação contra Freitas
Em janeiro deste ano, o Ministério Público do Paraná arquivou um Procedimento Investigatório Criminal contra o deputado estadual Renato Freitas (PT-PR). O PIC foi instaurado após uma representação feita pelo vereador de Curitiba, Rodrigo Marcial (NOVO), que acusou Freitas de invasão ao Supermercado Muffato.
Na decisão, o MP reconhece que “a conduta de realizar protesto em local aberto ao público (área de vendas de supermercado), sem violência e sem causar dano, ainda que gere incômodo, é tolerada pelo ordenamento jurídico como exercício da liberdade de expressão e reunião”.
A representante do supermercado, ouvida no procedimento, negou a ocorrência de danos no estabelecimento e afirmou que o protesto “não ocasionou prejuízo de ordem material”. A empresa informou também que não foi registrado boletim de ocorrência por se tratar de uma manifestação pacífica.
Perseguição
Renato Freitas afirma que o Conselho de Ética tem sido instrumentalizado para dar seguimento a um processo de perseguição política e racial contra o seu mandato.
“A minha política eu me orgulho. Posso perder o meu mandato? Posso. Mas eu, que atravessei desertos e que vi a morte à espreita, que sou mais velho que meu irmão mais velho e mais velho que o meu pai, e que fui a mais velórios do que aniversários, voltarei pras quebradas, pros desertos do esquecimento, de cabeça erguida”, declarou Renato.
O processo deve passar por novas diligências antes da decisão final.
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