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Jovem é morto em ação da PM um dia após sofrer ameaças de policiais em Piraquara

Testemunhas afirmam que jovem já estava rendido, e teria sido agredido antes da execução

Familiares de Jonatas Davi da Costa Oliveira denunciam que o jovem foi executado por policiais militares durante uma perseguição no dia 31 de janeiro, em frente a uma farmácia no bairro Vila Nova em Piraquara.

Segundo os relatos, Jonatas já estava rendido quando foi morto e os agentes teriam forjado um confronto para justificar a ação.

Um dia antes de ser assassinado, Jonatas relatou aos familiares que foi ameaçado por policiais retirei o batalhão. Ele teria sido abordado e levado para um vão escondido entre o muro de duas casas, fora do campo de visão da rua. No local, o jovem contou ter sido intimidado e ameaçado de morte, os agentes não encontraram nada de ilícito durante a abordagem.

Momento da execução

Na noite seguinte à abordagem violenta, Jonatas e um amigo foram até um posto de gasolina para abastecer uma motocicleta que seria utilizada em um trabalho. No local, perceberam a presença de uma viatura da Polícia Militar e aguardaram alguns minutos até que os policiais deixassem o posto. Ao saírem, no entanto, perceberam que estavam sendo seguidos.

Testemunhas afirmam que, antes de qualquer sinal de parada, os policiais bateram propositalmente com a viatura na traseira da moto, com o objetivo de forçar o início de uma perseguição.

Segundo a família, Jonatas era o alvo desde o início, já que o amigo que o acompanhava não foi abordado e acabou sendo ignorado pelos agentes.

Em determinado momento, Jonatas caiu da motocicleta.
Familiares e testemunhas afirmam que ele já estava rendido quando foi atingido pelos disparos.

Os parentes também denunciam que o jovem sofreu agressões físicas antes da morte, o que explicaria o estado do rosto, que estava desfigurado e com diversos dentes quebrados, deixando inclusive dentes no local do ocorrido.

Segundo os familiares, foi necessário pagar por uma reconstrução estética para que o velório pudesse ocorrer com caixão aberto.

No dia da execução, a mãe de Jonatas e outros familiares foram até o local da ocorrência e relatam que foram reprimidos com bombas de gás e uso excessivo da força. Vídeos gravados por testemunhas mostram policiais avançando contra parentes e moradores, mesmo enquanto a mãe da vítima estava em estado de choque.

A família também questiona a ausência de exame residual de pólvora nas mãos de Jonatas, procedimento padrão em casos de suposto confronto armado, o que reforça a suspeita de que a vítima não oferecia risco aos agentes.

Histórico de ameaças e repressão

 

Parentes relatam que Jonatas vinha sendo ameaçado por policiais há meses. As intimidações começaram quando a vítima ainda era menor de idade e cumpria medida sócio disciplinar.

Ainda assim, policiais iam até a casa da família com o pretexto de procurar o jovem, mesmo após os acertos com a justiça as ameaças não cessaram.

Na delegacia, segundo a família, o boletim de ocorrência não foi entregue, e número de inquérito foram informados de forma incorreta gerando dificuldade para acessar informações básicas do caso.

Parentes afirmam que viaturas continuam passando diariamente em frente às casas da família.

Imagens de câmeras da residência têm registrado a intimidação; em uma das ocasiões, um agente teria mostrado uma arma para uma adolescente que passava próximo à residência da família.

Quem era Jonatas

Familiares e amigos descrevem Jonatas como um jovem que, mesmo com sofrimentos durante a infância era carinhoso, afetuoso e muito ligado às crianças da família e da vizinhança.

Segundo os relatos, ele costumava brincar com os mais novos e tinha o sonho de ter condições financeiras para comprar doces e brinquedos para distribuir no bairro.

Jonatas teve passagens pela polícia ainda na adolescência, mas já havia cumprido todas as medidas judiciais e tentava reconstruir a própria vida. O jovem sonhava em se estabilizar financeiramente, ter uma casa própria e construir uma família.

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