Família de jovem morto em ação da PM protesta em Piraquara; jovem teria sido ameaçado pelos agentes no dia anterior à morte
Execução aconteceu no bairro Vila Nova, no fim de janeiro.
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Familiares e amigos de Jonatas Davi da Costa Oliveira, morto em uma ação policial há cerca de 30 dias, realizaram um protesto para pedir justiça e investigação do caso. O jovem foi morto durante uma perseguição envolvendo policiais militares, e os presentes questionam a tese de confronto. Segundo relatos, Jonatas já estava rendido quando foi baleado. O jovem teria relatado à família que vinha sofrendo ameaças de agentes, sendo a última no dia anterior à morte.
Vestidos de branco e com camisas com a foto do rosto do jovem, os manifestantes levantaram cartazes pedindo justiça.
O ato pacífico acontece na rua R. Juri Danilenko. O local foi escolhido por ser onde ocorreu a ação que resultou na morte do jovem. Os manifestantes seguiram em caminhada até a Avenida Betonex, onde escreveram mensagens em uma faixa que será usada em todas as manifestações sobre o caso.
Relembre o caso
Um dia antes de morrer, a vítima relatou aos familiares que foi ameaçada por policiais. Ele teria sido abordado e levado para um vão entre o muro de duas casas, fora do campo de visão da rua. O jovem contou ter sido intimidado e ameaçado de morte. Segundo a família, os agentes não encontraram nada de ilícito durante a abordagem e Jonatas foi liberado.
Na noite seguinte, o jovem teria sido seguido por uma viatura da Polícia Militar após sair de um posto de gasolina com um amigo. Testemunhas afirmam que, antes de qualquer ordem de parada, a viatura teria atingido a traseira da motocicleta para forjar uma perseguição. Segundo familiares e moradores, durante a fuga a vítima caiu e já estava rendido quando foi baleado.
Câmeras corporais no Paraná
Na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), tramitam projetos de autoria do deputado estadual Renato Freitas que tratam da ampliação de mecanismos de registro e controle da atividade policial. Para Freitas, é necessário que o uso de câmeras seja assegurado por lei, para garantir fiscalização efetiva das forças de segurança.
“Se alguns agentes da segurança pública agem apagando provas e ameaçando testemunhas, é preciso garantir, por força de lei, que a sociedade tenha instrumentos para se proteger da violência policial”, afirma.
O Projeto de Lei 448/2019 torna obrigatória a instalação de câmeras de vídeo e áudio nas viaturas e nos uniformes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, com transmissão em tempo real para sistema central e armazenamento das imagens por seis meses. O PL 38/2024 estende a exigência a vigilantes e seguranças privados.
Também tramitam o PL 929/2023, que proíbe agentes de segurança de utilizarem imagens de operações em redes sociais, e o PL 25/2024, que estabelece medidas após casos de letalidade policial, como afastamento do agente envolvido e investigação independente.