A família do jovem Yago Gabriel Pires de Oliveira, 20, assassinado na manhã desta terça-feira (7) pela Polícia Militar do Paraná (PM), relatou que foi ameaçada pelos agentes do Estado. Membros da família tiveram os celulares, computadores e outros bens recolhidos após a execução. O assassinato ocorreu durante uma operação realizada pela Polícia Civil do Paraná, que cumpria 12 mandados de busca e apreensão no bairro do Parolin, em Curitiba.
Execução
Por volta das 5h50 da manhã, policiais da ROTAM (Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas) invadiram a residência onde Yago morava com a avó. O jovem dormia no sofá junto com o irmão de 9 anos quando foi abordado e arrastado pelas escadas para o barracão de recicláveis anexo à casa.
Um vídeo que registrou momentos do crime mostra Yago desarmado, de shorts, com o corpo ensanguentado se rastejando de volta para a escada que dá acesso à residência. Nesse momento, um policial arrasta Yago de volta, enquanto outro apenas observa sem intervir. O vídeo contradiz a versão oficial da polícia, que afirma que Yago teria reagido à abordagem e morrido em confronto.
Os familiares informaram que foram obrigados a ficar dentro da casa enquanto ouviam Yago pedir por socorro e relataram que foram feitos mais de 10 disparos.
Testemunhas contaram que uma ambulância chegou a ser acionada, mas os socorristas disseram que não tinham permissão para acessar o local. Agentes da Polícia Civil acompanharam a atuação da PM, sem intervir, do lado de fora da residência.
Após a execução, os familiares contam que tiveram a casa revistada e que celulares, computadores e o dinheiro da família foram recolhidos pelos militares. Durante a ação, crianças com idade entre 1 e 9 anos estavam no local e testemunharam a violência.
Vítima
Yago tinha 20 anos e morava com a avó desde os 15, quando perdeu sua mãe vítima de um crime de feminicídio. Ele também cuidava de um irmão mais novo de 9 anos, que dormia junto com ele no momento da abordagem.
Yago tinha passagens por furtos praticados na adolescência após a perda da mãe. Os familiares afirmam que ele não tinha mais envolvimento com atividades ilícitas. O jovem estava trabalhando e montando um comércio de bebidas numa banca deixada pela mãe.
Ação da Polícia no Parolin
Os familiares contam que estão com medo de registrar boletim de ocorrência e cobrar justiça, pois foram ameaçados pelos policiais.
Em setembro, moradores do Parolin realizaram uma passeata pela paz, pedindo o fim da repressão e da violência policial que têm se tornado rotina na comunidade. Ao fim do ato, a Rede Nenhuma Vida a Menos divulgou um vídeo em que policiais aparecem intimidando moradores e invadindo casas sem mandado, fora do horário permitido por lei.
Os relatos apontam que a violência policial se intensificou desde maio, quando três jovens foram mortos em ações da PM, um deles tinha apenas 16 anos.
Em ofício enviado ao Ministério Público há menos de um mês, a Rede Nenhuma Vida a Menos pediu uma intervenção urgente do órgão e de outras autoridades para conter o avanço da letalidade policial e evitar novas mortes e violações de direitos no Parolin.
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