Influencer neonazista é denunciado por racismo e apologia ao nazismo após ataques ao deputado Renato Freitas

O influenciador digital Victor Stavale, conhecido nas redes sociais como Vicky Vanilla, foi denunciado pela Defensoria Pública de Pernambuco (DPPE) por apologia ao nazismo, incitação à discriminação racial, religiosa e política, além de incentivo à radicalização de seguidores. A denúncia ganhou novos elementos após o influenciador publicar vídeos com ofensas racistas contra o deputado estadual do Paraná Renato Freitas (PT).

Em entrevista ao G1 Pernambuco, o defensor público Kleyner Arley, responsável pela ação, disse que novas provas foram encontradas enquanto ele monitorava o perfil do influenciador.

Em um dos stories, Vicky Vanilla se refere ao deputado estadual Renato Freitas, que é negro, como “chimpas”, abreviação de “chimpanzé”. O vídeo encontrado pelo defensor não é o único em que Vanilla faz ataques racistas ao deputado, em outro vídeo, ainda disponível no TikTok, o influenciador faz comentários sobre o cabelo do parlamentar, reforçando o teor racista das publicações.

Em decisão de primeira instância, a juíza Kathya Gomes Veloso, da 6ª Vara Cível da Capital de Pernambuco, afirmou ter “plena ciência e concordância com a extrema gravidade dos atos imputados”, mas negou o pedido de liminar para bloqueio imediato das redes sociais do influenciador. Segundo a magistrada, o bloqueio integral de um perfil público pode configurar restrição severa à liberdade de expressão, devendo ser aplicado com cautela. A Justiça determinou que o réu se manifeste no prazo de 15 dias úteis.

Quem é Vicky Vanilla

Victor Stavale é um influenciador paulista que se apresenta como ex-ocultista, ex-satanista e atualmente católico tradicionalista. Ao longo dos anos, construiu audiência com discursos ideológicos radicalizados e passou a ganhar notoriedade por defender posições extremistas associadas ao neonazismo e ao supremacismo branco, além de atacar minorias, movimentos sociais e adversários políticos.

Em momentos anteriores, chegou a se autodenominar “Sacerdote da Igreja Luciferiana do Novo Aeon”, antes de afirmar ter se convertido ao cristianismo. Em 2024, Vanilla foi gravado armado ameaçando pessoas durante uma discussão. No ultimo ano, 2025, passou a dar declarações a favor da criação de um partido Nazista no Brasil.

Conteúdo extremista e incitação à violência

De acordo com a ação, Vicky Vanilla promoveu reiteradamente conteúdos de exaltação a figuras centrais do nazismo e do pensamento supremacista, como Adolf Hitler e David Duke, ex-líder da Ku Klux Klan, que teceu elogios ao ex-presidente inelegível Jair Bolsonaro. O processo também aponta que o influenciador utilizava suas redes para organizar seguidores, divulgar conteúdos extremistas e oferecer aulas sobre ideologia nazista, o grupo no Telegram chegou a alcançar 1800 membros.

Em publicações reunidas pela Defensoria, Victor Stavale chegou a afirmar que “o nazismo foi o maior projeto de pureza e ordem que o mundo já conheceu” e que “negros são degenerados por natureza, incapazes de criar civilização”. Segundo o defensor público, há ainda registros de incitação direta à violência, com chamadas para perseguição a “comunistas, negros e judeus”.

A Defensoria pede que o influenciador seja proibido de publicar conteúdos de caráter nazista ou discriminatório e solicita indenização de R$ 8,8 milhões por danos morais coletivos, valor classificado como simbólico e pedagógico diante da gravidade das acusações.

Ligações com o MBL

O caso também se conecta a denúncias feitas em novembro de 2024 pelo deputado federal suspenso Glauber Braga (PSOL) sobre relações entre integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) e perfis associados ao neonazismo. Em discurso, Braga citou diretamente Vicky Vanilla como defensor de posições nazistas e afirmou que Benjamin Pontes, um dos articuladores da criação do partido Missão, legenda política do MBL, teria feito diversas interações, curtido, comentado e indicado publicações de cunho supremacista.

Segundo Braga, questionamentos feitos ao deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil) não resultaram em providências efetivas. Kataguiri afirmou que as interações teriam ocorrido “sem querer”, versão contestada por Braga, que apresentou novos registros de engajamento deliberado. Pontes segue no MBL e no Missão até o presente momento. O proprio Kataguiri já fez declarações defendendo a legalidade da existência de um partido nazista, em episódio do Flow Podcast.

“O Brasil não pode ter partidos que acobertam ou mantenham relações com o nazismo”, afirmou Glauber Braga, defendendo que o partido em formação pelo MBL não prospere no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) caso as denúncias não sejam devidamente esclarecidas.

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