Cultura machista leva à desumanização das mulheres, afirma Renato Freitas
Parlamentar repudia violência de gênero no Paraná, 5º estado com mais feminicídios no Brasil
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O deputado estadual Renato Freitas (PT) considera a violência contra as mulheres resultado de uma sociedade patriarcal que normaliza comportamentos masculinos abusivos e perpetua o sofrimento feminino. “Esse tipo de cultura machista não pode levar a outro caminho senão à objetificação e, com isso, à desumanização das mulheres. Isso ocorre em todos os lugares”, afirmou o parlamentar durante reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Alep), nesta terça-feira (10).
Renato também apontou a falta de políticas que favoreçam a autonomia financeira das mulheres como um dos fatores que contribuem para a continuidade do ciclo de violência: “Numa sociedade em que o homem se tornou provedor familiar, conseguiu empregabilidade e renda, a mulher se tornou uma trabalhadora não remunerada, não valorizada e, portanto, submissa. Moral da história: as mulheres estão em casa reféns economicamente de homens violentos, agressivos, abusivos, e não conseguem se desvencilhar dessa realidade porque, muitas vezes, precisam sustentar os seus filhos.”
O parlamentar ainda traçou um panorama histórico para explicar as raízes da cultura patriarcal. Segundo ele, essa cultura de exclusão das mulheres é uma tradição ocidental que vem do pater familias, do direito romano, em que o homem era aquele que de fato ordenava a família e a mulher cumpria as ordens e cuidava do lar. “Depois, uma perspectiva perversa e errônea da Bíblia e do catolicismo afirmou exatamente a mesma coisa: a mulher é a costela e o homem é a cabeça, portanto ela deve submissão ao homem”, explicou.
Cultura machista leva à desumanização das mulheres, afirma Renato Freitas (Foto: Valdir Amaral)
Recorde de feminicídios
O deputado também chamou atenção para os alarmantes índices de feminicídio no Paraná. Em 2025, o estado registrou 87 casos de mulheres assassinadas por serem mulheres. Apesar de representar uma queda de 20% em relação a 2024, quando houve 109 casos, o Paraná ainda ocupa a 5ª posição no ranking nacional de feminicídios. O estado fica atrás de São Paulo (233), Minas Gerais (139), Rio de Janeiro (104) e Bahia (103), de acordo com dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
No Brasil, os números são ainda mais alarmantes. Em 2025, foram registradas 6.904 vítimas de feminicídio, entre casos consumados e tentativas, um aumento de 34% em relação a 2024, quando houve 5.150 vítimas. Foram 4.755 tentativas e 2.149 assassinatos, o que representa quase seis mulheres mortas por dia no país. O Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem/UEL), aponta que esses números superam em 38,8% os dados divulgados pelo Ministério da Justiça.
Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no início deste mês, revelou que 8 em cada 10 casos de feminicídio no país são cometidos por parceiros ou ex-companheiros, e que 66,3% das ocorrências aconteceram na residência da vítima.
Educação e políticas públicas
Para Renato Freitas, o combate à violência contra as mulheres exige mais do que punições rígidas. Ele defende que é necessário educar a sociedade, especialmente os homens, sobre as consequências da cultura patriarcal.
“Um dos problemas centrais que o Brasil hoje enfrenta é a violência. E a violência contra as mulheres ganha especial contorno uma vez que os crimes de feminicídio aumentam a cada ano no país. Infelizmente, o estado do Paraná está entre os protagonistas dessa triste estatística”, lamentou o deputado.
O parlamentar também ressaltou a importância de iniciativas que promovam a autonomia financeira das mulheres, permitindo que elas rompam com ciclos de dependência e violência.
Projeto para ampliar denúncias
O pronunciamento de Renato Freitas foi motivado pela votação do projeto de lei nº 601/2023, que busca ampliar a divulgação dos meios de denúncia de violência de gênero. O deputado espera que a aprovação do projeto e de outras iniciativas semelhantes ajudem a transformar a realidade das mulheres no Brasil. “Espero que esse projeto e tantos outros consigam alterar essa realidade que as mulheres já não mais suportam e que hoje elas falam com suas próprias vozes”, concluiu