Presos denunciam falta de água e maus tratos na Penitenciária Central do Estado

Familiares apontam retaliação após participarem de audiência pública sobre o tema

Familiares de pessoas privadas de liberdade denunciaram, nesta sexta-feira (20), que os presos detidos na Penitenciária Central do Estado – Unidade de Segurança (PCE-US) estão há mais de três dias sem água para beber. O gabinete do deputado estadual Renato Freitas (PT) recebeu dezenas de denúncias e acionou os órgãos competentes para reverter o cenário.

No conjunto de denúncias recebidas pelo mandato via Whatsapp, os familiares afirmam que eles e seus entes detidos estão sofrendo uma série de maus tratos como retaliação por terem participado da Audiência Pública “O Estado de Coisas Inconstitucional”, realizada pelo deputado Renato Freitas no dia 3 de março. Os denunciantes apontam que a falta de água é mais uma consequência de terem participado do encontro.

Print denuncia maus-tratos e falta de água; crédito: reprodução.

Uma das mensagens relata: “Fui na visita hoje e quando meu familiar chegou no pátio estava desesperado para tomar água, pois há três dias eles estão sem”. Outro parente implora: “O presídio de Piraquara cortou a água dos detentos. Peço, pelo amor de Deus, nos ajude”. Outra mensagem expõe o desespero dos presos: “Pôxa, são seres humanos e já estão pagando o que fizeram lá dentro. Muitos, hoje, foram pra visita mortos de sede”

Os relatos informam que os recentes maus tratos têm relação direta com a participação massiva dos familiares de pessoas presas na audiência pública que tratou sobre esse tema na Assembleia Legislativa do Paraná. “Segundo informações que tivemos, tudo isso está acontecendo por conta da audiência pública que participamos”, contam.

Familiares relatam que, no dia 8 de março, enquanto aguardavam para visitar seus parentes, uma funcionária responsável pela revista dos visitantes abriu o portão da penitenciária e falou: “Ué, vocês foram lá na audiência falar de mim?”.

Sobre o episódio, um parente comentou: “Nós estamos cansados de sermos humilhados e só queremos visitar nossos familiares que já estão pagando por seus crimes. Essa funcionária não pode nos oprimir ou nos calar. Após tantos anos, acordamos e não aceitamos mais essas coisas”.

Print denuncia maus-tratos por retaliação; crédito: reprodução.

Contraste: Cela ‘perfeita’ para golpista e retaliação a famílias de detentos

No dia 7 de março, a Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp) divulgou imagens da cela do ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro, Filipe Martins, que cumpre pena na Cadeia Pública de Ponta Grossa por participar da trama que pretendia dar um golpe de Estado.

Ao contrário dos presos da PCE-US, segundo o promotor de Justiça Antônio Juliano Albanez, Filipe está em um local “perfeitamente adequado”.

“Em termos de estrutura e de saneamento, ele foi alocado em um espaço que está perfeitamente adequado, dentro dos parâmetros mínimos para atender uma pessoa privada de liberdade”, afirmou o promotor.

A vistoria, que foi solicitada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), aconteceu após bolsonaristas levantarem rumores de maus tratos ao detento. Além do promotor de Justiça, participaram da vistoria o secretário da Segurança Pública do Paraná, Hudson Leôncio Teixeira, a diretora-geral da Polícia Penal do Paraná, Ananda Chalegre; e representantes da OAB de Ponta Grossa.

Cela de Filipe Martins na Cadeia Pública de Ponta Grossa/Divulgação
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