O incômodo de vários políticos da direita com a atuação de Renato Freitas (PT), deputado estadual no Paraná, fica cada dia mais evidente a partir do envolvimento deles com atividades suspeitas. É o caso do deputado federal Filipe Barros (PL), que recentemente deu entrevista se posicionando a favor da cassação do parlamentar negro. Segundo levantamento da jornalista Malu Gaspar, Barros tem envolvimento no escândalo do Banco Master, um dos maiores esquemas de fraude financeira do Brasil, que deixou um rombo de até R$ 52 bilhões nos cofres públicos.
Segundo a jornalista, Filipe Barros atuou na Câmara Federal em benefício do Banco Master, pressionando o Banco Central e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) no período em que o Banco estatal de Brasília tentava comprar a instituição de Daniel Vorcaro. A reportagem foi publicada no jornal O Globo um dia após a divulgação da entrevista de Barros criticando Renato Freitas.
Perguntado se a cassação de Renato deveria acontecer ou não, Barros respondeu: “Sem sombras de dúvidas deve cassar o Renato”, em seguida reproduziu a notícia falsa de que o parlamentar, quando vereador, teria invadido uma igreja. O fato já foi esclarecido pelo próprio pároco da capela. Não houve invasão, mas uma entrada simbólica na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos durante um protesto contra o assassinato de pessoas negras.
“Vou convocar uma reunião, como presidente estadual do PL, com todos os deputados estaduais e nós vamos fechar questão pela cassação do Renato Freitas”, afirmou Barros. Durante a entrevista, o deputado do PL também desdenhou da violência racial da qual Renato é alvo quando comentou que o Supremo Tribunal Federal já devolveu o mandato do parlamentar apenas por ele ser negro.
Freitas, por sua vez, é uma das vozes que tem denunciado o esquema do Banco Master e seus operadores. O perfil combativo de Renato contra a corrupção e outros crimes o transformou em inimigo número um de muitos políticos envolvidos em escândalos semelhantes. É o caso de Ademar Traiano, ex-presidente da Assembleia do Paraná que confessou, em processo sigiloso do Ministério Público, que havia pedido e recebido propina de um empresário. O crime foi exposto por Renato Freitas, mas a representação no Conselho de Ética contra Traiano foi arquivada.
Justiça suspendeu processo de cassação
Uma decisão do Tribunal de Justiça do Paraná suspendeu o processo de cassação contra o deputado Renato Freitas. Com isso, as decisões do Conselho de Ética e da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), que haviam recomendado a cassação, ficam suspensas.
O desembargador Rogério Luis Nielsen Kanayama concedeu liminar favorável ao deputado com o intuito de analisar, com maior prazo, os argumentos e provas apresentados pela defesa de Freitas, que alega perseguição institucional, tendo em vista que a decisão do Conselho de Ética é manifestamente ilegal e contraria, inclusive, o Código de Ética recém aprovado pela Alep.




