Déjà vu: Ricardo Arruda volta a ser alvo de investigação do Gaeco sobre rachadinha
Nova denúncia envolve esposa do deputado e ocorre meses após Renato Freitas (PT) ser punido por citar investigação semelhante na tribuna da Alep
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Nesta segunda-feira (22), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) realizou uma nova operação contra um esquema de rachadinha vinculado ao gabinete do deputado estadual Ricardo Arruda (PL). A esposa do parlamentar, Patrícia Miranda Arruda Nunes, e outras três pessoas foram denunciadas criminalmente pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR).
Ricardo Arruda não integra a nova denúncia por já responder a procedimento anterior relacionado aos mesmos crimes investigados. Segundo o Ministério Público, os denunciados são acusados dos crimes de lavagem de dinheiro e concussão (quando um agente público exige vantagem indevida em razão do cargo). As acusações estão ligadas a desvios que teriam ocorrido entre 2018 e 2023 no âmbito do gabinete parlamentar.
De acordo com a denúncia, os valores envolvidos somam aproximadamente R$ 132,8 mil. Para o MP os recursos eram obtidos por meio da exigência de repasses de parte dos salários de servidores comissionados, prática popularmente conhecida como “rachadinha”.
A denúncia foi recebida pela 2ª Vara Criminal de Curitiba, que também determinou o afastamento de um dos denunciados de suas funções públicas. A fim de evitar interferências na apuração dos fatos e garantir o regular andamento do processo, os valores teriam sido movimentados por meio de mecanismos destinados a ocultar a origem dos recursos.
Esta não é a primeira vez que o nome de Ricardo Arruda aparece em investigações relacionadas à prática de rachadinha. Em ação de improbidade administrativa apresentada anteriormente, o Ministério Público do Paraná pediu a devolução de R$ 1.045.170,80 que, segundo a acusação, teriam sido desviados por meio de um esquema envolvendo servidores comissionados lotados no gabinete do deputado e na Corregedoria da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), período em que Arruda ocupava o cargo de corregedor.
De acordo com a ação, parte dos recursos teria sido utilizada para custear despesas pessoais, incluindo faturas de cartão de crédito, viagens internacionais e hospedagens. Entre os beneficiários apontados pela investigação está Patrícia Miranda Arruda Nunes, agora também incluída na nova denúncia apresentada pelo Gaeco. Em alguns meses a fatura dos cartões ultrapassava R$ 80 mil, e seriam pagos com o salário dos servidores comissionados.
Além destas, o bolsonarista é réu em outra ação, denunciado por crimes de associação criminosa, desvio de dinheiro público e tráfico de influência. Ele é acusado de usar o prestígio como parlamentar e o poder político da posição para ajudar a reintegrar policiais militares criminosos, expulsos da corporação, em troca de dinheiro. Arruda nega.
Renato Freitas foi punido por citar investigação contra Arruda em plenário
O novo desdobramento do caso ocorre poucos meses após o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná advertir o deputado estadual Renato Freitas (PT) por declarações feitas na tribuna da Casa.
Em decisão tomada em abril, o relator do processo, deputado Dr. Leônidas, recomendou a aplicação de advertência por escrito a Freitas após o parlamentar mencionar, durante discurso em plenário, investigação do Ministério Público contra Ricardo Arruda relacionada a um esquema de rachadinha.
Na ocasião, Renato Freitas defende que exerceu o papel e a função de parlamentar ao dar publicidade a informações já conhecidas pelos órgãos de controle e pela imprensa.
“O Ministério Público fez o seu dever, a mídia fez o seu dever e eu também fiz o meu dever”, disse.
A defesa de Renato solicitou ao Conselho de Ética o envio de ofícios ao Tribunal de Justiça do Paraná, ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região e ao Ministério Público do Paraná para obter informações sobre os processos envolvendo Ricardo Arruda. O pedido, no entanto, foi rejeitado pelos integrantes do conselho.