A Meta segue restringindo funcionalidades da conta no Instagram do deputado estadual Renato Freitas (PT-PR) mesmo após decisão judicial que determinou o restabelecimento total das funções do perfil. Entre as medidas adotadas pela plataforma estão a suspensão das transmissões ao vivo e o impedimento de veiculação de anúncios. A restrição foi aplicada ainda em dezembro de 2025.
O prazo limite para a Meta restabelecer as funções era até a última quarta-feira (10). A punição contra a conta do parlamentar está relacionada à republicação de um vídeo que denunciava torturas cometidas por soldados israelenses contra palestinos. O conteúdo havia sido publicado originalmente em novembro de 2025, pelo perfil da Federação Árabe-Palestina do Brasil – Fepal, que não teve o vídeo derrubado.
A ordem judicial favorável ao deputado foi publicada em maio, quando a justiça deu um prazo de 10 dias para a empresa voltar a conta aos padrões. Para Freitas, a manutenção das limitações configura censura, demonstra o modus operandi das big techs e impede o exercício pleno da liberdade de expressão nas redes sociais.
Boicote da Meta contra lideranças políticas de esquerda
Renato Freitas é apenas mais uma das vítimas de censura da Meta. Em 2025, o pré-candidato a deputado federal Jones Manoel (PSOL/PE) teve as redes suspensas pela Big-Tech por mais de 24 horas sem justificativa. A empresa só recuou após uma grande mobilização nas redes sociais. O influenciador Thiago Torres, conhecido como “Chavoso da USP”, e Thiago Santinelli também tiveram os perfis censurados.
Em dezembro, o PSOL fez uma denúncia contra a Meta ao Ministério Público Federal (MPF) por reduzir alcance e ocultar perfis de esquerda sem aviso e sem que os donos dos perfis pudessem ter ciência do boicote.
A redução do alcance passou a acontecer após o deputado federal Glauber Braga (PSOL/RJ) ocupar a cadeira da presidência da Câmara como forma de resistir à punição no Conselho de Ética, que pedia a cassação do parlamentar.
Segundo a análise feita pelo partido, até mesmo o perfil oficial do presidente Lula foi afetado.
Regulamentação das redes sociais poderia limitar suspensões arbitrárias
Em maio de 2023, o chamado PL das Fake News foi retirado da pauta da Câmara dos Deputados após pressão de empresas de tecnologia. Entre os dispositivos previstos no projeto estava a obrigação de as plataformas justificarem a remoção de contas e conteúdos, com informação clara sobre as motivações.
O texto também previa mecanismos de recurso e maior transparência nos procedimentos adotados pelas empresas. Em 2024, o então presidente da Câmara, Arthur Lira, interrompeu a tramitação, e o PL foi enterrado. À época, o Google chegou a promover uma campanha contra o projeto na página principal de buscas da plataforma.
Um Levantamento realizado pelo jornal “Núcleo” apontou a Meta, como a Bich Tech com lobby mais forte dentro do poder público com 19 lobistas identificados. Seguido do Google, com 10. Apesar de comum, o Lobby não é regulamentado no Brasil.





