A reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), que analisou o processo envolvendo o deputado estadual Renato Freitas (PT), demonstrou a indiferença e as contradições dos parlamentares ao votarem pela rejeição dos argumentos apresentados nos votos em separado dos deputados Ana Júlia Ribeiro (PT) e Arilson Chiorato (PT).
Durante a sessão, Ana Júlia chamou atenção para o comportamento do relator do caso, deputado Márcio Pacheco (PP), nas redes sociais, mencionando as quase 30 publicações sobre Renato em menos de um ano e a onda de comentários racistas nos posts.
Além das publicações, Pacheco tem curtido e endossado comentários racistas e ofensivos direcionados ao parlamentar petista.
Um dos comentários curtidos por Pacheco — e ainda disponível no primeiro post fixado das redes do parlamentar — contém emojis de risada acompanhados por um emoji de macaco, símbolo historicamente associado a ataques racistas contra pessoas negras. Entre as mensagens, há uma série de ataques políticos ao PT. Expressões como “Fora PT” e “Fora petista” foram curtidas por Pacheco, que também deixou seu “like” em um comentário afirmando que uma eventual cassação do mandato de Freitas seria a melhor notícia do ano.
Os dois petistas argumentam que esse tipo de comportamento do relator reforça a suspeita de parcialidade e evidencia os vícios do processo. Ana Júlia ainda chamou atenção para os prazos de andamento do Conselho de Ética, que não teriam sido respeitados e já estariam prescritos.
Outro momento que chamou atenção ocorreu quando o líder do governo na Alep, deputado Hussein Bakri (PSD), afirmou ter dúvidas sobre o parecer em discussão, mas declarou que deixaria para esclarecê-las apenas durante a votação em plenário. Bakri também alegou não ter direito a pedir vista do processo, afirmação contestada imediatamente por Ana Júlia.
Deputado Paulo Gomes protagoniza momento bizarro durante a reunião
O encerramento da reunião também foi marcado por declarações controversas do deputado Paulo Gomes (PL). Ao rebater críticas de que havia motivação racial no tratamento dado ao caso, o parlamentar afirmou que existia “vitimismo” em torno do debate e tentou se defender citando pessoas negras de seu convívio pessoal.
“A madrinha da filha da minha irmã é negra, eu sou padrinho de um menino negro, tenho um compadre negro”, declarou.
A fala gerou reação negativa de pessoas que acompanhavam a sessão.
Diante das manifestações da plateia, Paulo Gomes afirmou que aqueles que desejassem se posicionar deveriam disputar eleições e conquistar um mandato.
Apesar das denúncias apresentadas e dos questionamentos levantados pelos parlamentares da oposição, os votos em separado protocolados por Ana Júlia e Arilson Chiorato foram ignorados pela maioria dos integrantes da CCJ. Os documentos apontavam possíveis irregularidades processuais e questionavam a condução do caso, mas seus argumentos não foram acolhidos pela comissão, que manteve o encaminhamento favorável ao parecer do relator.
Foto: Valdir Amaral





