“Ali teve o caso dos Diários Secretos, 250 milhões de reais estimados e sabidos. Algum deputado foi cassado?”, questionou o deputado estadual Renato Freitas (PT-PR) ao público que se concentrava na praça Santos Andrade, em Curitiba, para protestar contra o processo que pode cassar o mandato de um dos únicos deputados negros do Paraná. A perda do mandato de Freitas apenas aguarda ser votada no plenário da Assembleia Legislativa do estado.
Durante a manifestação a favor de seu mandato, Renato relembrou o escândalo dos Diários Secretos, que desviou mais de 250 milhões de reais através da contratação de funcionários fantasmas. O então presidente da Assembleia, deputado Nelson Justus, e o atual presidente Alexandre Curi, que apareceram como principais envolvidos no esquema de corrupção, nunca foram responsabilizados.
Além deste caso, Renato recordou que a Alep já conviveu com deputados acusados de homicídio e outros crimes de corrupção. “Na impossibilidade de entrar numa guerra com todos ao mesmo tempo, eu entrei na guerra com o mais poderoso entre eles: Ademar Traiano, então presidente da Assembleia”, afirmou Renato ao relembrar o crime de recebimento de propina confessado por Ademar Traiano em acordo firmado com o Ministério Público do Paraná. Freitas foi o responsável por revelar o caso que estava sob sigilo.
Testemunhos da rua
Diversos testemunhos de pessoas que foram tocadas pelo mandato do deputado Renato Freitas demonstraram a força do parlamentar nas periferias do estado e na linha de frente de denúncias ligadas à violência policial e a luta por moradia.
“O Renato é uma benção de Deus nas nossa vidas porque ele é o único deputado que entra na favela pra nos ajudar. Pedindo câmeras nas fardas e contra a letalidade policial”, testemunhou Eliane Pereira, moradora da favela da Bratac, de Londrina.
“Se não fosse o Renato, quem seria gueto? Se não fosse o Renato, quem seria periferia?”, questionou o militante do Movimento Popular por Moradia (MPM), Chocolate, sobre a falta de representação na Assembleia.
Perseguição antiga
Na manifestação, Renato também relembrou alguns pedidos de cassação que já recebeu ao longo da sua trajetória parlamentar na Câmara de Vereadores de Curitiba e na Assembleia do Paraná, destacando o caráter ideológico e racial da perseguição contra sua atuação política.
A primeira representação que Renato recebeu na Câmara de Curitiba teve relação com um discurso onde o então vereador criticou pastores que defendiam o uso de ivermectina durante a pandemia da Covid 19. Outra representação veio por um caso anterior à vereança, quando Renato participou de um protesto no Carrefour após o espancamento e assassinato de Beto Freitas, homem negro morto por seguranças do supermercado.
Renato recontou a história da primeira vez em que teve o mandato cassado numa falsa acusação de que teria invadido a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos de São Benedito, em Curitiba. Na ocasião, Renato teve o mandato devolvido por decisão do Supremo Tribunal Federal.
“A igreja esteve do nosso lado e o povo também porque tivemos quase 60 mil votos dos paranaenses e fomos eleitos deputado estadual pela vontade de Deus e pela força do povo”, relembrou.
Apoio Nacional
A manifestação contou com a presença de parlamentares e grupos de outros estados brasileiros, entre eles: os deputados federais Glauber Braga, Sâmia Bomfim e Fernanda Melchionna. “Vocês têm uma enorme sorte de ter esse camarada lado a lado fazendo a luta diariamente. Para além do Paraná, o Renato hoje tem a solidariedade de todo Brasil”, afirmou Glauber durante seu pronunciamento.
A deputado federal Gleisi Hoffman também participou da manifestação e comparou a história de Renato Freitas com a do presidente Lula. “Essa luta, Renato, não é só por você. Porque você representa uma causa”, disse a ex-ministra e pré-candidata ao Senado.
Freitas contou também com o apoio de grandes nomes do rap nacional. Estiveram presentes na manifestação os rappers Thaíde, Preto Aplick, Renan Inquérito, Mano Fler, Dow Raiz, Liah Vitoria, Marinho do rap e Erisow Bagstar. O Dj C-Roock, Dj Jamaica, o Bloco Afropretinhosidade e os cantores Wes Ventura e Dailson Santos também marcaram presença.
O movimento negro estava representado pela Educafro, de São Paulo, o Movimento Negro Maria Laura, de Santa Catarina, a União de Negras e Negros pela Igualdade, de Curitiba, e o Secretário Nacional de Combate ao Racismo do PT, Thiago Soares. Outro movimento que somou forças à mobilização foi a Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal). A Central Única dos Trabalhadores, a App-Sindicato, a Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Paraná, o FORT e o Comitê Popular de Lutas também estiveram presentes.
A manifestação teve a presença das vereadoras Vanda de Assis, professora Angela, Giorgia Prates, e o vereador Angelo Vanhoni, de Curitiba; a vereadora Miss Preta de Pinhais, Anderson Prego de Colombo, e as vereadoras Vanessa da Rosa de Joinville e Guida Calixto, de Campinas. O deputado federal Zeca Dirceu, e os deputados estaduais Arilson Chiorato, Ana Julia e professor Lemos também participaram.





