Com candidatura confirmada para a Câmara Federal, Renato Freitas quer radicalizar atuação da esquerda no Congresso Nacional
Publicado no dia
O Partido dos Trabalhadores (PT) confirmou a candidatura do deputado estadual Renato Freitas à Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. Eleito para a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) em 2022, com mais de 57 mil votos, o parlamentar é uma das principais apostas da legenda no estado. Freitas pode ser o primeiro homem negro eleito pelo Paraná para o Congresso Nacional.
Mestre em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), advogado e oriundo da periferia, Renato Freitas consolidou-se na política a partir da defesa dos direitos humanos, do combate ao racismo e das denúncias de violência policial e corrupção. Ao longo dos últimos anos, tornou-se uma das principais lideranças negras do sul do Brasil.
Na Assembleia Legislativa, ganhou projeção pelas denúncias de corrupção, com destaque para as revelações sobre o esquema de desvio de dinheiro público envolvendo o então presidente da Alep, Ademar Traiano (PSD).
Em 2025, a atuação do parlamentar foi destaque internacional após uma reportagem do jornal britânico The Guardian — um dos principais veículos de comunicação do mundo —, que destacou a trajetória política, e os embates enfrentados por lideranças negras no Paraná e no Brasil.
Em Brasília, Renato Freitas, promete intensificar o combate à corrupção e à extrema-direita, defender a transparência nas emendas parlamentares, nacionalizar o debate sobre segurança pública e letalidade policial. Freitas é um dos atuais integrantes da Bancada da Esquerda Radical, articulação com objetivo de fortalecer pautas voltadas a classe trabalhadora como: revogar a contrarreforma trabalhista e reorganizar direitos, jornada e renda; instituir um regime de planejamento orçamentário por metas sociais, ambientais e de soberania; revogar a contrarreforma da Previdência e reconstruir a proteção social entre outras.
Origem e Luta política
Filho de uma empregada doméstica nordestina, Renato nasceu no estado de São Paulo e foi criado em Piraquara, na Vila Macedo, bairro localizado entre a Penitenciária Estadual e a antiga colônia do Hospital São Roque. Trabalhou como empacotador de supermercado e encontrou no hip-hop e no xadrez importantes referências para sua formação política e pessoal.
Antes de ser eleito vereador ou deputado estadual, Renato Freitas já atuava em movimentos sociais e na defesa de vítimas de violência estatal. Foi quando em 2013, durante as jornadas de junho, fundou o Coletivo Núcleo Periférico, ONG com trabalho focado no atendimento às pessoas em situação de rua, egressos do sistema prisional e demais pessoas em vulnerabilidade.
Ao longo da sua história Renato não só se opôs como também foi vítima da violência do Estado. Em 2016, sofreu uma abordagem racista e foi agredido por um policial militar, que questionou a autenticidade da sua carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) — por não acreditar que um homem negro pudesse ser advogado.
Dois anos depois, durante a campanha eleitoral de 2018, foi baleado por guardas municipais enquanto distribuía panfletos em Curitiba. O caso repercutiu nacionalmente após ser divulgado por veículos independentes e organizações de comunicação.
A eleição para a Câmara Municipal de Curitiba, em 2020, marcou o início da carreira parlamentar. Mas deu início a um novo tipo de perseguição institucional. Ainda nos primeiros meses de mandato, tornou-se alvo de um processo no Conselho de Ética após utilizar a expressão “pastores trambiqueiros” para criticar lideranças religiosas que defendiam o uso da cloroquina como tratamento para a Covid-19. O processo acabou arquivado.
Em fevereiro de 2022, Renato Freitas protagonizou o episódio que marcou sua trajetória política nacional.
Após uma manifestação organizada por movimentos negros contra o assassinato de pessoas negras, participantes do ato entraram na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos com autorização do pároco, que cedeu o microfone para manifestações em homenagem às vítimas da violência racista.
Pouco depois, imagens editadas passaram a circular nas redes sociais acompanhadas da narrativa de que a missa havia sido interrompida. A versão foi posteriormente contestada por registros da própria igreja e pelo padre Luiz Haas, que afirmou ter autorizado a entrada dos manifestantes.
Apesar disso, a Câmara Municipal de Curitiba aprovou a cassação do mandato de Renato Freitas por quebra de decoro parlamentar. A decisão repercutiu nacionalmente e levou o parlamentar a denunciar perseguição política e institucional.
Ainda em 2022, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu os efeitos da cassação. Na decisão, Barroso entendeu que o processo apresentava irregularidades capazes de comprometer direitos fundamentais do parlamentar e a própria representação democrática dos eleitores.
Eleito deputado estadual em 2022, Renato Freitas manteve como principais pautas o combate à violência policial, a defesa dos direitos humanos, o enfrentamento ao racismo e a fiscalização do poder público.
Na atual legislatura, tornou-se algoz de deputados envolvidos em escândalos de corrupção, como Ademar Traiano (PSD). O enfrentamento dentro de casa o levou a ser o deputado com maior número de representações no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa, mais de 70% do total de toda a atual legislatura.